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A venda de substâncias emagrecedoras tem sido um paradoxo entre comércio e entidades que regulam a saúde pública no Brasil. Recentemente o Congresso Nacional aprovou a liberação da venda de algumas destas substâncias: o Manzidol, a Anfepramona e o Femproporex. Esses medicamentos só podem ser vendidos com receita médica, pois causam dependência. Além disso, é importante que no ato da compra haja acompanhamento de um farmacêutico para que o paciente possa ter os cuidados necessários com o uso.
 
 
Em 2011, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – publicou uma resolução que proibia a comercialização e produção destes compostos. E hoje, mesmo diante da decisão do Congresso, a Agência ainda visa propor novas regras, para tentar ao menos restringir esta comercialização fazendo com que a indústria apresente a renovação do registro dos medicamentos.
Medicamentos como o Manzidol, utilizado no tratamento da obesidade, por exemplo, podem ter mais riscos que benefícios, aumentando os níveis de neurotransmissores que emitem sinais ao organismo dizendo a hora de parar de comer. Mas também age como estimulante do sistema nervoso central, podendo aumentar a pressão arterial e produzir até problemas psiquiátricos.
Quanto ao femproporex, este composto provoca a diminuição do apetite, do sabor e cheiro dos alimentos, o que leva uma redução na ingestão deles. É um estimulante para a realização de atividades físicas, outro fator que colabora para o emagrecimento. Entretanto, ele nada mais é que uma anfetamina pesada e já chegou a ser proibido em muitos países por causar dependência muito forte e rápida.

 

Já a anfepramona, que no Brasil já chegou a ser um dos compostos de emagrecimento mais vendidos na forma manipulada, é um anorexígeno que age no Sistema Nervoso Central e pode causar dependência por exigir o consumo de doses maiores com o passar do tempo. Pode ser comparada à cocaína por provocar sensação de bem-estar, euforia, aumentando o batimento cardíaco e diminuindo o sono, a fadiga e a fome. O que realmente chama a atenção neste composto são seus efeitos colaterais: boca seca, nervosismo, insônia, obstipação intestinal, irritabilidade, ansiedade, excitação, tremores, taquicardia e até hipertensão arterial.
Em resumo, como farmacêutica, penso que deve ser revista esta posição do Congresso Nacional.  Sei que a proibição muitas vezes tende a aumentar o comércio ilegal destas substâncias, mas deixar a venda totalmente liberada pode ser ainda mais arriscado, por conta dos prejuízos que eles podem trazer a saúde do paciente. Para mim, um tratamento terapêutico integrando medicamentos mais seguros, associados à boa alimentação e à prática de exercícios físicos, é ainda a melhor maneira de emagrecer e conservar a boa saúde.

 

Marttha Franco Ramos