8 de setembro de 2010
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09/02/2010

Venda de remédio genérico sobe 19%


PROMOÇÃO - Farmácias adotam propagandas que podem
ser consideradas um estímulo ao uso irracional...

Aumento de unidades comercializadas é 2,3 vezes
maior que a média do setor; oito patentes vencem
neste ano PROMOÇÃO - Farmácias adotam propagandas
que podem ser consideradas um estímulo ao uso
irracional de medicamentos, alerta Anvisa A
indústria de medicamentos genéricos anunciou
ontem um crescimento de 19% do total de
unidades vendidas em 2009 em relação ao ano
anterior, além de um incremento de 24% no valor
das vendas, que somaram R$ 3,6 bilhões. O aumento
das unidades comercializadas é 2,3 vezes maior
que a média do setor farmacêutico em 2009. Além
disso, a patente de oito drogas vencem neste ano
e elas poderão ser copiadas e comercializadas por
valores, em média, 45% mais baixos, caso não haja
decisões judiciais que impeçam isso, informou o setor.
É o caso do Viagra (sildenafil), droga contra a
disfunção erétil, e cuja patente também vence neste ano.
Porém ele não será copiado enquanto for mantida decisão
judicial que estendeu sua patente até 2011. "Estamos de
mãos atadas. Ninguém lança uma cópia enquanto não tiver
a segurança jurídica", afirmou ontem Odnir Finotti,
presidente da Associação Brasileira das Indústrias de
Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). A indústria
prometeu para o fim de 2010 a chegada ao mercado de
uma versão genérica do Diovan (valsartana), da Novartis,
produto contra a hipertensão arterial e que hoje custa
até R$ 44,32 a caixa de 40 mg com 14 comprimidos.
Os problemas do coração são a principal causa de
adoecimento e morte no País e a droga também é
considerada uma das mais prescritas no País. Estima-se
que a hipertensão atinja 30% dos brasileiros adultos.
Ainda na área cardiovascular, o setor promete para o
início de 2011
a chegada ao mercado da cópia da atorvastatina

(Lípitor), droga do laboratório Pfizer para controle
do colesterol uma das mais vendidas no mundo.
Atualmente, o custo de uma caixa do remédio pode
chegar a R$ 119,32, uma caixa de 30 comprimidos com
10 mg. CONTESTAÇÃO A Pró Genéricos contesta no
Tribunal Regional Federal a extensão de patente
obtida pelo laboratório Pfizer para o Viagra. No caso

do Diovan, porém, a indústria de genéricos está
pronta para iniciar a produção de cópias porque a
detentora da patente teve negados os pedidos de
extensão. Já no caso do Lípitor, a empresa conseguiu
a extensão na Justiça, que acaba no fim deste ano.
Os genéricos brasileiros, que no ano passado
completaram dez anos de regulamentação, têm hoje 19,4%
do mercado farmacêutico, contra 17% em 2008, um
desempenho considerado bom pelo setor, mas tímido se
comparado ao de outros países, reconhece Finotti.
"Nos EUA chega a 70%. O nosso mercado está bem distante".
O porcentual também ainda está longe da meta do programa
Mais Saúde, o chamado PAC da Saúde, prioridades do
Ministério da Saúde para a área e que estimou que os
genéricos deveriam abocanhar 30% do mercado até 2012.
O dirigente avalia que dois fatores limitam o setor:
resistência dos médicos de prescrever pelo
nome genérico da droga e a permanência no mercado dos
chamados similares, drogas que não passaram pelo teste
de bioequivalência. Além disso a indústria avalia que a
queda de preços dos produtos copiados já chegou a um limite.
Ou seja, as empresas não terão mais como reduzir ainda mais
os valores, a não ser que mais e mais produtores ingressem
no setor, aumentando a concorrência, o que depende também
de incentivos para o complexo industrial da saúde. A
própria indústria e o governo reconhecem ainda que, para as
camadas mais pobres, são necessárias outras medidas para
garantir acesso aos medicamentos. Finotti espera, no entanto,
que com a entrada de versões do Diovan e do Lípitor os
genéricos fiquem com pelo menos 22% do mercado. Atualmente,
ainda é o medicamento omeprazol, para problemas
gastrointestinais, que "puxa" o setor no Brasil. NÚMEROS 19%
foi quanto cresceu o mercado de genéricos em unidades, entre
2008 e 2009 330,9 mi de unidades de remédios genéricos foram
vendidas no ano passado 19% foi a participação do setor de
genéricos no mercado farmacêutico em 2009 70% é a participação
dos genéricos nos Estados Unidos 30% é a meta de participação
dos genéricos no mercado brasileiro para 2012 R$ 13,7 bilhões
é a economia garantida pelo setor aos brasileiros desde 2000,
quando os genéricos foram lançados, segundo estudo das
indústrias 45% em média é a queda no valor do remédio com a
entrada do genérico. Setor quer incluir biofármacos As
indústrias de medicamentos genéricos aguardam a regulamentação
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para
poder registrar, no País, medicamentos genéricos biológicos.
Entre as drogas que poderão ser copiadas, caso a autorização
seja dada, estão o interferon peguilado, utilizado para
combater a hepatite C, além da eritropoietina, usada em
hemodiálise. Ambas representam um alto custo para os governos.
Segundo Odnir Finotti, da Pró Genéricos, a expectativa é de
que a agência divulgue as regras ainda neste ano. Procurada,
a Anvisa não se manifestou até o fechamento desta edição.
Para promover ainda mais os genéricos, farmácias têm adotado
em todo o País propagandas que podem ser consideradas um
estímulo ao uso irracional de medicamentos, segundo a Anvisa.
Elas estão sujeitas à punições. São exemplos anúncios como
os encontrados em estabelecimentos na zona norte de São Paulo
e que prometem um preço melhor se o cliente levar mais de um
produto genérico de uso contínuo.

Fonte:  O Estado de S.Paulo


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